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Perfis da Ciência conta a história do médico higienista René Rachou

09/07/2020

Embora curta, a trajetória profissional do médico e pesquisador René Rachou deixou contribuiçõoes importantes na saúde pública, não só do Brasil, como também das Américas. O médico faleceu prematuramente, aos 46 anos, em um acidente de carro, em El Salvador, enquanto atuava como consultor da Organização Pan Americana da Saúde.

Nascido em Taubaté, São Paulo, em 30 de junho de 1917, René Guimarães era filho de Bertha Rachou e do médico João Rachou. Em 1939, se formou pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, onde também concluiu o curso de assistência social, o que lhe conferiu um olhar para a questão social.

Foi atraído para a área da saúde pública e logo ingressou na especialização no Serviço de Profilaxia da Malária do Estado de São Paulo. Em 1942, realizou o Curso de Malária do Departamento Nacional de Saúde, no Rio de Janeiro, terminando a formação como o primeiro da turma. Graças a isso, no ano seguinte, entrou no Serviço Nacional de Malária, sendo designado para comandar o Laboratório Regional do Sul do país, em Florianópolis. Lá desenvolveu várias pesquisas sobre a malária.

Rachou passou a investigar o uso do Dicloro-Difenil-Tricloroetano – DDT -, inseticida utilizado no combate a insetos, sobre o qual produziu uma extensa bibliografia sobre o assunto. Em 1948, participou do IV Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, em Washington, nos EUA.

Quando volta ao Rio, é designado chefe do Laboratório Central do Serviço Nacional de Malária (SNM). Em seguida, torna-se diretor de Epidemiologia do órgão. Durante as pesquisas sobre os inseticidas, René percebeu a necessidade de se aprofundar nas questões entomológicas. Por isso, organizou a Escola de Entomologia do SNM e realizou os cursos de Entomologia Geral (1950) e Hidrobiologia (1951) no Instituto Oswaldo Cruz – IOC/Fiocruz.

 Entre 1952 e 1960, atuou como Coordenador da Campanha contra a Filariose (1952-1960), que lhe rendeu convite feito pela Organização Mundial de Saúde para integrar Comitê de Peritos sobre a Filariose. Em 1955, foi nomeado diretor do Instituto de Malariologia, recém-transferido para Belo Horizonte, Minas Gerais. Seus esforços para manter as pesquisas na nova sede e na reestruturação da administração sanitária do país, rendeu-lhe homenagem de colegas. Em pesquisa realizada em Minas Gerais, descobriram uma nova espécie de flebótomo, nomeada como Phlebotomus renei, hoje conhecida como Lutzomyia renei, em homenagem a René Rachou.

As pesquisas de Rene passaram a ser conhecidas internacionalmente, levando o médico a expedições pela América Central para desenvolver estudos epidemiológicos sobre doenças tropicais, em particular a malária. Após sua morte, em 1965, foi publciado o artigo intitulado “Synoptic epidemiological studies of malaria in El Salvador”, na American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. Segundo relatório da Organização Pan-Americana de Saúde, o “artigo é um exemplo do tipo de estudos de malariologia necessários para formar as bases de sofisticadas operações de erradicação da malária em áreas problemáticas”.

 René Rachou deixou uma extensa produção acadêmica, com cerca de 150 trabalhos científicos, que são referência no campo de pesquisa sobre a malária e outras doenças tropicais.

Fonte informações para a matéria: Fiocruz Minas

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