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Perfil de Aggeu Magalhães: do sertão de Pernambuco para o mundo

Simone Kabarite
15/10/2020

Nascido no Sertão de Pernambuco, em Petrolândia, Aggeu de Godoy Magalhães se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1920. Foi lá, que conheceu e se tornou amigo do professor Carlos Chagas e do médico Belizário Pena.
De volta a Recife, quando acabara de se formar, se deparou com uma situação sanitária complexa, onde a febre amarela e malária eram endêmicas na Região Metropolitana do Recife. A taxa de mortalidade por tuberculose e varíola também era alta.  
À frente do Serviço de Saneamento e Profilaxia no estado de Pernambuco, a convite de Belizário Pena, então diretor do Departamento Nacional de Saúde, deflagrou uma grande campanha pela higiene e saúde. Combateu os anofelinos e as verminoses em geral e abriu vários postos de saúde em todo o Estado.
Em 1928, tomou posse como novo presidente da Sociedade de Medicina de Pernambuco. Antes, em 1925, foi nomeado professor titular da cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Recife. Por indicação da Fundação Rockfeller, do Rio de Janeiro, o professor foi convidado a fazer um curso de especialização nos Estados Unidos, onde permaneceu por seis meses estagiando no Departamento de Patologia da Universidade de Columbia. Também estagiou pelo mesmo período, no Departamento de Patologia da Universidade de Toronto. Lá, desenvolveu trabalhos experimentais em macacos infectados com o vírus da febre amarela.

Já de volta a Recife, torna a se dedicar à cadeira de Anatomia Patológica inicialmente com serviço de laboratório que funcionava no Hospital Infantil Manoel Almeida, passou a adotar modelos trazidos dos Estados Unidos e a realizar inúmeras necropsias e preparações histológicas. Em 1933, Aggeu assume a direção do Departamento de Saúde do Estado de Pernambuco e cria o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), cujo serviço destinava-se a realizar necropsias em pessoas que haviam falecido de causas desconhecidas e sem assistência médica. Graças a esse trabalho, foi possível detectar a presença de doenças até então desconhecidas na região, como a esquistossomose mansônica e suas áreas de manifestação. 
Com isso, o SVO passou, então, a ser reconhecido como um local onde se produzia ciência, pois não se diagnosticava a causa mortis dos pacientes mais por hipótese e sim por comprovação científica. Em 1937, tomou posse como diretor da Faculdade de Medicina. Várias ações marcaram a sua administração, como o apoio à Casa do Estudante, à Sociedade Acadêmica de Medicina e a construção de um novo prédio para instalação da cadeira de Anatomia Patológica e o Serviço de Verificação de Óbitos. As pesquisas desenvolvidas no SVO, principalmente na área de esquistossomose, passaram a despertar o interesse de médicos de todo o País. O serviço recebeu a visita de Evandro Chagas, que ficou impressionado com a extensão e gravidade do problema com a doença e organizou um plano de trabalho que seria desenvolvido com a colaboração do Instituto Oswaldo Cruz, na época já vinculado ao Instituto de Manguinhos (futura Fundação Oswaldo Cruz) e o Estado.
Em 1946, como secretário de Saúde e Educação do Estado, inaugurou as instalações do primeiro banco de sangue do Serviço de Pronto Socorro estadual, instalou um serviço de urgência no Hospital de Olinda. 

Em 1948, o projeto dos sonhos de Aggeu, o Instituto de Pesquisas Experimentais começa a ser construído, mas o pesquisador não conseguiu vê-lo concluído, mas atualmente leva o seu nome. Aggeu faleceu em 31 de julho de 1949 e a inauguração do centro de pesquisas aconteceu em 1950. 

Fonte: Aggeu Magalhães, um pioneiro. Casa de Oswaldo Cruz, 2000 e Fiocruz Pernambuco

 

 

 

 

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